Renato Garcia, chefe de gabinete da Prefeitura de Pouso Alegre, está entre os agentes públicos afastados em 28 de outubro de 2026 durante a Operação Forças Ocultas, do Grupo de Atuação Especial de Combate a Organizações Criminosas (Gaeco).
A investigação apura suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e irregularidades em contratos de limpeza urbana. Segundo o Ministério Público, as apurações tiveram início em 2023, conduzidas pelo órgão paulista.
Além de Pouso Alegre, a operação teve diligências em municípios do Sul de Minas, como São Gonçalo do Sapucaí, Gonçalves e Varginha. A promotoria informou o afastamento de ao menos três agentes públicos.

O caso envolve contratos municipais e a licitação de limpeza urbana vencida pela empresa THV em Pouso Alegre. As prefeituras citadas na investigação também divulgaram posicionamentos sobre as medidas judiciais e a colaboração com as autoridades.
Operação Forças Ocultas e afastamento de agentes públicos
A mobilização do Grupo de Atuação Especial de Combate a Organizações Criminosas (Gaeco) reuniu 54 policiais militares, 14 viaturas, seis policiais civis, 12 promotores de Justiça e seis servidores do Ministério Público. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e ordens de afastamento cautelar de servidores em Pouso Alegre e São Sebastião da Bela Vista, com proibição de contato com investigados e de acesso a instalações municipais.
As apurações mineiras identificaram indícios de irregularidades em contratos de limpeza urbana de ao menos 14 municípios de Minas Gerais, enquanto o alcance investigado chega a 39 cidades em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, empresas teriam oferecido vantagens indevidas a agentes públicos para obter contratos de serviços como varrição, poda de árvores, coleta e destinação de resíduos.
Outra suspeita investigada é a adulteração da pesagem do lixo nos aterros para elevar pagamentos às empresas. Em São Gonçalo do Sapucaí, o prejuízo estimado é de cerca de R$ 4 milhões; a reportagem informa períodos diferentes para esse recorte — de dezembro de 2021 a abril de 2026 no texto e até maio de 2026 no resumo. Em outro levantamento, relativo a 14 municípios durante 14 meses entre 2022 e 2023, propinas e desvios teriam somado cerca de R$ 1,4 milhão.
As buscas recolheram celulares, notebooks, documentos e pendrives, principalmente nas sedes das empresas investigadas, para extração de dados autorizada pela Justiça e análise pericial. A investigação se relaciona à Operação Calliphora, realizada em setembro de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo, que prendeu dois funcionários de alto escalão da THV, empresa de Pouso Alegre, em apuração sobre licitações de limpeza urbana em Pirassununga.
TCE apontou falhas em licitação vencida pela THV
Em junho de 2026, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) apontou problemas no edital da licitação de limpeza urbana de Pouso Alegre, vencida pela THV. O processo começou em 2023, com valor previsto de aproximadamente R$ 141,8 milhões, e terminou com a contratação da empresa por R$ 81 milhões.
O contrato foi assinado em janeiro de 2025 e previa, entre os serviços, a implantação de lixeiras subterrâneas. Quatro empresas participantes — TCM Terraplenagem, Via Ambiental Engenharia, Luz Serviços Urbanos e Litucera Limpeza e Engenharia — denunciaram o processo ao tribunal e também pediram a suspensão da concorrência, solicitação que foi negada.
Mesmo após negar a suspensão, o TCE prosseguiu com a fiscalização e identificou distorções técnicas no orçamento municipal. Entre os problemas citados pelo órgão estavam descrições e métodos de cálculo pouco claros, falta de critérios objetivos para preços unitários, aplicação incorreta de encargos trabalhistas e tributários e exigências de qualificação técnica que poderiam limitar a concorrência.
Prefeituras se manifestam sobre a operação
A Prefeitura de Pouso Alegre declarou que colabora com o Ministério Público e que entregou os documentos e as informações solicitados nas diferentes etapas da apuração. Também afirmou ter cumprido as determinações judiciais, incluindo o afastamento cautelar, e disse permanecer à disposição das autoridades.
Sobre São Sebastião da Bela Vista, a prefeitura informou que o investigado mencionado na operação já não integra o quadro de colaboradores do município. A administração pediu que as informações sobre a situação funcional sejam contextualizadas, sem apresentar outros detalhes sobre a investigação.
Já a Prefeitura de São Gonçalo do Sapucaí afirmou que o contrato da THV foi firmado durante a gestão municipal de 2021 a 2024, do então prefeito Brian Mendes Drago, e que a administração atual apenas deu continuidade ao acordo, previsto para terminar em 31 de dezembro de 2026. O município declarou que a diligência buscava documentos relacionados à empresa, mas que eles não foram encontrados, e afirmou que os fatos investigados se referem à gestão anterior, permanecendo à disposição das autoridades.

